Amhaj

Para que possais trilhar a senda luminosa é preciso responder ao Chamado. Isso significa vencerdes provas, nas quais terão confirmado o vosso elo com a verdade e com a luz. Todos os seres, um dia, penetram essa senda e alcançam a Morada Celestial. Porém, eons se passam até que o ciclo se consume. Não vos intimideis frente ao mal. Não desafieis o inimigo. Não retardeis vosso caminhar pelo clamor do passado. A poeira dos tempos será lavada do vosso ser; novas vestes trajareis, e grande será o júbilo da libertação. Porém, nessa senda pisareis sobre rosas e espinhos, e devereis aprender o mistério do Bem. É tempo de justiça. É tempo de graças. Magnífico poder, o Irmão Maior se aproxima. Silenciai vosso coração e acolhei o grande amor. Tendes a Nossa paz.

Hierarquia

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Átomo Humano Parte II



A via alquímica opera através do canal que religa o Eu Consciente ao Ser Psíquico e ao Eu Inconsciente. No processo alquímico trata-se de deixar revelar o material inconsciente, conduzindo-o até ao Amor no centro psíquico e entregando-o à força transmutadora do Eu Superior e da Mônada.

Com efeito, muito do material incosnciente não pode ser transformado pelo esforço humano. O trabalho é reconhecer e tomar consciência destas forças e tendências em conflito dentro de nós, aceitar banhando-os em Amor e compreensão e enfim, entregar à potência libertadora da Mônada estes registros profundos que restringem a nossa liberdade.

De certo modo estávamos perante informações que podiam transformar-se num contributo para um estudo de elementos fundacionais de uma nova pedagogia.

Nas crianças, animadas pela nova frequência planetária, as divisões vibratórias, o estado de fragmentação que existe entre o Eu Básico, o Eu Consciente, o Eu Superior, a sombra e o Ser Psíquico é muito menor do que nos seres humanos em geral.

Nessas crianças os diferentes núcleos estão muito mais coesos, os canais vibracionais entre os núcleos estão ativos e atuam em sincronia vibracional.

As novas crianças são portadoras de uma tendência irresistível para a Síntese, para a dinâmica de coesão entre os diferentes núcleos do eu, de tal forma que o corpo físico reage em tempo real à criatividade que emana do Eu Consciente: se o corpo está vivificado, a mente está inspirada; a coesão entre os núcleos é tal que o corpo vive a ideia, a informação traduz-se imediatamente num estímulo elétrico.

Quando o corpo age, a ação criativa acontece simultaneamente na mente; a mente recebe informação do corpo e torna-a inteligível.

O processo de integração vai gradualmente tornando os núcleos coesos e desta forma a integridade de vibração e significado vai-se desenvolvendo no interior do Átomo humano.

Quanto mais estes núcleos estão separados, quanto menos os canais vibratórios estão ligados e comunicam entre si, mais fragmentado e irreal o ser se torna, menos energia capta no seu interior e menos energia partilha com o mundo. Quanto mais religados entre si, quanto mais sincronia e comunicação existe entre os núcleos, mais potência ancora e irradia do ser.

O processo de integração consiste em conduzir estas quatro funções do ser humano – Eu Consciente, Eu Básico, Eu Inconsciente e Eu Superior, levando-as a convergir no centro psíquico e eclodir numa quinta-essência.

À medida que os quatro núcleos se vão tornando coesos, integrados e sintetizados no núcleo central, as grandes funções do ser humano podem emergir como uma quinta função, que transcende as quatro funções descritas.

Este processo de integração psíquica passa por fases nas quais o amadurecimento do ser ocorre através de momentos de revelação da luz e momentos em que o ser tem que enfrentar o material do inconsciente: trata-se de reconhecer, aceitar e transmutar estes registros de ‘’sombra’’ para que a luz se possa estabilizar na personalidade.

A carta do tarot a ‘’Lua’’ representa este processo de desenvolvimento sem o qual não existe maturidade psicológica nem consistência existencial. Nele está o desafio de restabelecer a ligação energética e a comunicação entre três núcleos: o Eu Incosnciente, o Ser Psíquico e o Eu Consciente.

A carta o ‘’Sol’’ representa a ligação entre três outros núcleos: o Eu Superior alinhado com o Ser Psíquico e com o Eu Consciente, esta carta indica uma integração profunda da psique e a respectiva libertação da alma para uma união com a Mônada.

A carta ‘’O Mundo’’ representa o sentimento de plenitude que nasce da integração total da psique: o grande caminho da alma que depois do processo de integração da personalidade, entra finalmente no processo que a conduzirá à fusão total com a Mônada.

Enquanto a dinâmica do Eu Consciente se encontra isolada não consegue nutrir nem nutrir-se dos outros núcleos; neste estado de isolamento do Eu Consciente, o corpo, o coração, a riqueza potencial do inconsciente e a luz da alma, não conseguem ligar-se à mente para nutrir e inspirar a vida reflexiva.

O ser tem uma natureza de pensamento e verbalização que é meramente mental e o Eu Consciente não consegue realizar a função de mediador e coordenador na comunicação inteligente dos diferentes núcleos entre si, e entre si para o exterior.

O isolamento dos núcleos conduz a um estado de fragmentação do ser, daí tornar-se essencial restabelecer as ligações, ligar os condutos vibracionais, restaurar a autenticidade e a integridade da comunicação no interior do Átomo humano.

Aceitar crescer através deste processo de amadurecimento integral da psique, que não exclui nenhuma parte de si mesmo, implica restaurar profundamente no interior de si o sentido real de majestade e de humildade. É que todas estas partes se equilibram, amenizam e se equilibram mutuamente, desde que o Ser Psíquico seja mediador.

Humildade é o estado que nasce em nós quando aceitamos lidar com o nosso húmos e o nosso húmos é o material inscrito na nossa terra psíquica – o Eu Básico e o Eu Inconsciente.

A humildade cria as condições para a majestade, estado que emerge espontaneamente quando o ser estabelece uma relação com o Ser Psíquico, o Eu Superior e a Mônada.

É completamente irreal afirmar que os seres humanos só reprimem a relação com as dimensões inferiores do ser; a maior parte dos seres reprime igualmente a relação com as dimensões sagradas de si; muito poucos são os seres que realmente lidam com a sua majestade.


O que acontece, na maior parte dos casos, é que o ser não se religa nem a um estado real de humildade nem a um estado real de majestade; mantêm a sua consciência e existência num nível mediano, não ousando relacionar-se nem com os núcleos superiores nem com os núcleos inferiores do potencial humano.

A maior parte dos seres humanos reprimem a relação com o estado real de humildade e majestade por uma questão de segurança, de inércia, de conforto e de medo.

Humildade significa ter a coragem de olhar e aceitar tudo o que coexiste dentro de si, a coragem de religar tudo a tudo, de incluir todos os núcleos, de restabelecer todos os canais para permitir a sacralização no interior de uma completude do ser.

A majestade também participa desta sacralização do conjunto: limitado é o humilde que não consegue assumir também a sua majestade e pobre da majestade que rejeita um real processo de humildade.

Tudo o que nos liga à nossa base, ao húmos, à nossa terra psíquica, torna-nos humilde mas também mais maduros e completos psicologicamente e participa num processo que conduz à integridade do ser.

Por vezes o ser quer exaltar-se e o Divino pede-lhe para humilhar-se, ou seja, pede-lhe para aceitar entrar em contato como o ser húmos, com a sua terra, o Eu Básico e o Eu Incosnciente.

Lidar com estas zonas de nós mesmos também faz parte do processo de religar, de restaurar as ligações que permitem uma sacralização integral do ser.

Assim, através de processos que não são aparentemente ‘’subir aos céus’’ estamos a aceitar o desafio de integridade em o qual não existe libertação. Através deste desafio de integridade, tornarmo-nos gradualmente seres humanos mais completos e reais.

Entrar num processo de humildade significa reconhecer, aceitar, amar integralmente a parte de nós mesmos que está inscrita nos núcleos do Eu Básico e da sombra.

É importante, neste ponto assinalar que o contato com a sombra jamais deve ser estimulado artificialmente, em workshops ou meditações conduzidas, nem mesmo através da imaginação ativa. Os aspectos adormecidos dessa esfera que não emergem para se transmutar devem permanecer adormecidos pois serão eliminados pelo Ser Total em participação do consciente. Apenas os elementos sombra que emergem naturalmente ou ao longo dos ciclos da existência podem ser equilibrados e transformados com participação consciente.

À medida que esse processo de inclusão e aceitação acontece, as camadas congeladas nesses núcleos começam a dissolver-se, libertando a carga do subconsciente e a sombra inconsciente.

À medida que, pelo poder do Amor, vamos deixando derreter e esmaecer esses registros, vamos nos tornando mais completos, íntegros e reais. Até ao ponto em que tudo e cada coisa em nós faz sentido à medida que pelo Amor à liberdade vamos deixando operar o poder libertador das energias superiores.

Mas a exigência fundamental deste processo seria uma profunda sinceridade para conosco mesmos.

No momento em que tudo faz sentido, deixa de haver excessos... o excesso reflete a busca de sentido... o equilíbrio reflete o encontro, a realização profunda do sentido. O equilíbrio, a maturidade e consistência psicológica de um ser está relacionada com a simetria das ligações e a qualidade da comunicação internúcleos.

Então, o processo de amadurecimento integral da psique passaria por aprender a dar nome aos vários núcleos que coexistem dentro do nosso ser, aprender a reconhecê-los, a escutá-los, e ensiná-los a comunicarem entre si.

Estabelecer nestes canais o diálogo perdido é o caminho para fazer cair os muros que fragmentam o nosso ser.

Para nos entregarmos a este processo seria fundamental compreender que a nossa Mônada não ama mais o Eu Consciente, o Ser Psíquico, o Eu Básico ou a sombra; ela ama tudo, inclui tudo no seu emenso projeto de integridade.

Quando Jesus disse: ‘’Aquele que se humilhar será exaltado e aquele que se exaltar será humilhado’’, sublinhou que quando aceitamos conhecer e assumir a totalidade do nosso ser as portas do próprio Eu Divino se podem abrir mais amplamente.

A humildade não é um processo estritamente moral, é um aspecto estrutural da evolução da consciência, aspecto que emerge quando o ser entra em contato com as regiões subconscientes e inconscientes de si próprio. É o processo de reconhecer, aceitar, amar e integrar essas partes no projeto de realização integral do ser.

Este processo de exaltação e humilhação funciona num movimento em espiral que evolui a caminho do centro: o ser conecta-se e contata os núcleos que revelam a luz, o Amor e a potência depois, com humildade, ‘’desce’’ e aceita contatar, reconhecer as regioões subconscientes e inconscientes de si. Sem esse contato, sem essa aceitação não pode haver um processo de transmutação e logo a libertação não será completa.

Em linguagem tradicional podemos dizer que a união entre a personalidade e a alma que conduz à personalidade integrada é realizada através dos mistérios menores. A união final entre o espírito puro e a matéria profunda é realizada através dos mistérios maiores.

O processo de integração destes diferentes núcleos na psique, prepara gradualmente a substância mental, emocional e física para o ancoramento do fogo cósmico da Mônada; então, a energia solar, que é a energia do Deus Interno, inverte a psique, substitui os dos pólos opostos por um terceiro pólo integrador.

A energia do fogo cósmico é trina, ou seja, contém o fogo dual e um terceiro pólo.

Este é o mistério da Paz. A serenidade intensa que emerge de uma Paz eletreficada e dinâmica enraizada no que se pode conceber como o ‘’chão do ser’’, a zona profunda onde os pólos duais contatam o terceiro pólo, celeste, divino, de onde toda a vida emerge.

Este estado de paz emerge quando se instala no ser a maturidade psicológica e a consistência existencial de quem aceitou enfrentar a totalidade das partes de sim em nome de um projeto de integridade e liberdade humana.

O Eu Consciente é o núcleo do nosso ser ligado as funções da mente: análise, discriminação, categorização, coordenação, decisão no espaço e no tempo.

A sua função é estabelecer uma relação cognitiva que permite uma compreensão e uma estruturação da realidade exterior em função da realidade interna.

O Eu Consciente situa-se a ocidente na estrela do ser... e qual foi a grande tarefa e o grande desafio do ocidente?

Estimular, fortalecer, desenvolver a análise, uma compreensão e um discurso claro sobre a natureza da realidade.

É como se o Logos tivesse dado um mandato ao ocidente: desenvolver as funções da mente e da linguagem; descrever, analisar, categorizar, compreender e estruturar a realidade exterior e, mesmo, a própria natureza interior.

Neste mapa da consciência o Eu Consciente corresponde á zona ocidental do Ser; o mundo da compreensão e da linguagem.

O Eu Consciente é como uma câmara através da qual o ser estabelece uma relação cognitiva com a realidade exterior ou interior; essa câmara está constantemente registrando no cérebro e na memória uma representação da realidade.

A câmara do Eu Consciente tem como imput os cinco sentidos; a partir desse ato de percepção, o Eu Consciente observa, analisa, relaciona as coisas entre si, descrimina com precisão, devolve o máximo de detalhe acerca do objeto que analisou, cria sínteses integradoras que estruturam a realidade que procura conhecer.

As funções do Eu Consciente são: percepcionar, analisar, discriminar, criar relaçoes e sínteses integradoras que organizam uma compreensão da realidade objetiva em função dos mandatos e indicadores interno.

É um momento misterioso quando o foco do Eu Consciente deixa de ser o mundo exterior e se volta para a compreensão do mundo interno, a realidade subjetiva do ser. Essa é sua forma de atribuir significado ao mundo, virando-se para ‘’dentro’’ pode extrair valores internos – ditados pelo Ser Psíquico que lhe permitem situar-se na imensidão de possibilidades que caracteriza a criação.

O Eu Consciente é como um foco direcional que faz convergir a atenção uma determninada direção mantendo a mente focada segundo uma linha intencional precisa.

É um foco direcionador da atenção e da intenção e tanto pode focar, nos abjetos da realidade exterior, como interiorizar e focar dentro procurando a compreensão do mundo interno.

Quando o foco do Eu Consciente se volta para o mundo interior permite criar relaçoes profundas, revelando uma compreensão simultaneamente sintética e integradora de certos processos e realidades internas.

O Eu Consciente é a função dentro do ser que cria a possibilidade de uma estabilidade cognitiva: analisa, discrimina, organiza e estrutura a realidade servindo de mediador e de coordenador na relação que o ser estabelece com o mundo exterior e interior. O Eu consciente é todo ele linguagem clara, racional; é a consciência enquanto função análise que relaciona as coisas com precisão, organizando-as numa síntese estruturada e coerente.

O Eu Consciente situa-se no limiar das funções do ser; a meio, na linha do equador. Isto supõe que haja realidades acima dele, a realidade supra-consciente, e realidades abaixo, ou dependentes, da margem que ele inclui na sua esfera, as realidades subconscientes e inconscientes.

Quando o Ser se volta para a realidade interna e procura conhecer-se a si mesmo, essa inflexão do Eu Consciente para o mundo interior implica o ultrapassar dos limites da mente racional.

Entrando num estado ritual, de oração ou devoção, que não apaga a função consciente mas suspende os limites da mente racional, o ser restaura a conexão vibratória e a comunicação do Eu Consciente com os outros núcleos do Ser Total.

Nestas condições, a função consciente do ser revela a sua pertinência e a sua vocação: a função do Eu Consciente é essencial enquanto coordenador e mediador entre os diferentes núcleos do Ser. Ele é o portador do foco intencional e do livre arbítrio; neste sentido analisa, ‘’diagnostica’’ os bloqueios e desequilíbrios e pode escolher dirigir-se a cada um dos núcleos para restabelecer a qualidade da comunicação.

Como veremos, isto é algo extremamente importante: quando o Eu Consciente em vez de adotar uma postura de supremacia estéril e fragmentada, se religa aos outros núcleos dirigindo para cada um deles o foco da atenção, intenção, a inteligência coordenadora restabelece a comunicação e a troca entre os núcleos é multiplicada.

Esta é a ambiguidade da mente: tanto pode ser uma tremenda força, se a sua vocação de coordenação, de comunicação e de significado está ativa, como pode tornar-se profundamente estéril quando se isola dos outros núcleos em vez de nutrir-se a partir de uma relação com eles.

Com efeito, se a função consciente está desligada em relação aos outros núcleos, esse estado de isolamento torna a vida reflexiva pobre e meramente racional. A reflexão torna-se estéril quando não consegue ligar-se e nutrir-se da informação que vem de corpo, das emoções, da riqueza do mundo inconsciente e da luz da alma.

O estado de isolamento do Eu Cosnciente torna a dinamica da mente pouco fecunda e limitada.

No entanto, se o Eu Cosnciente escolhe religar-se aos outros núcleos, o seu papel torna-se essencial no restabelecer dos circuitos de uma comunicação fecunda, na compreensão das relações e na coordenação que conduz ao estado de integração e de síntese dos diferentes núcleos entre si.

Com efeito, cabe ao Eu Cosnciente orientar o foco atencional e intencional em direção a estes núcleos e criar um diálogo inteligente com cada um deles.

Para realizar esta função torna-se, antes de mais, necessário restaurar o canal que religa o Eu Consciente ao ser Psíquico, o centro de integração do ser câmara do coração.

Quando esta ligação acontece, o Eu Consciente torna-se menos mecânico, menos automático e linearmente superficial. Ao religar-se ao Ser Psíquico e à sua tremenda força de coesão, o Eu Consciente torna-se um coordenador inteligente dos diferentes núcleos e um mediador que exprime e comunica ao mundo aquilo que anima a interioridade do Ser. As suas qualidades de clareza, lucidez e transparência, quando ligadas à força de coesão do Amor, transformam a compreensão em sabedoria.

Algo importantíssimo acontece quando o Eu Consciente se religa aos outros núcleos. Estes núcleos têm canais através dos quais se conectam e trocam vibração e informação, quando coordenada pela função consciente, a comunicação entre os núcleos é multiplicada, a compreensão das relaçoes entre eles conduz gradualmente a um estado de síntese e integração no qual a função de cada núcleo é potencializada.

No entanto, muitas vezes o Eu Consciente aparece isolado do Eu Superior, do Eu Básico, do Eu Inconsciente e do próprio Ser Psíquico. Esta é a origem do estado fragmentado do homem contemporâneo; um homem que já não responde às significações exteriores da religião mas ainda não conseguiu restaurar o canal que religa internamente o Eu Consciente ao Ser Psíquico e ao seu Eu Superior, abrindo a via que permite a fundação de uma religião interna ao próprio ser, uma vivência esotérica, no sentido estrito do termo.

Para além disso, neste estado de fragmentação, o ser humano tem medo da sua própria sombra e está isolado em relação à força vital do Eu Básico. É a este estado de isolamento e fragmentação em que se encontra o ser humano que se chama a angústia existencial do homem contemporâneo.

As iniciações são o processo que conduz gradualmente ao restaurar da vibração nestes canais de ligação, ao purificar das correntes energéticas que religam os núcleos, ao impregnar do fogo solar da alma e de fogo cósmico, todas estas correntes de ligação.

É esta a razão pela qual o trabalho iniciático sério se distingue do trabalho psicológico redundante: um indivíduo pode estar anos realizando o percurso do Eu Consciente na direção da catarze ou análise da sua sombra, que segundo a psicanálise clássica era basicamente um território de tensão com o Eu Básico, sem que a integridade vibratória do Átomo humano tenha sido restaurada.

Esta integridade vibratória implica que todos os núcleos, os ditos inferiores e os ditos superiores sejam profundamente libertos, religados e integrados.

Para a escola de Zurique, mais abrangente, a sombra não era apenas um território de tensão com o Eu Básico; o Eu Inconsciente era constituído por todo o material que o consciente reprimiu acrescentado pelo legado ancestral de toda a humanidade, um tesouro de possibilidades fecundas, comparável ao humos da terra fértil.

Se atravessássemos o canal que religa ao Eu Inconsciente até ao fundo, penetrando gradualmente o incosnciente pessoal, o incosnciente da família, o inconsciente coletivo...chegávamos ao Self. Aí, depois de enfrentadas as camadas de sombra, se encontraria uma ressonância da própria Mônada. Seria uma transição de uma posição egocêntrica para uma posição centrada na família-tribo, na nação- continente, escalando até mesmo a uma atitude de centragem na própria essência da humanidade.

Se o Ser não investe este processo de desenvolvimento rumo à integridade de vibração e significado do Átomo humano; se não se entrega a este projeto de crescimento integral que permite estabelecer uma relação de Amor e consciência com os diferentes núcleos de si, criam-se assimetrias que tendem a criar excessos de identificação em relação a certos núcleos e bloqueio, atrofia ou carência na relação com outros núcleos.

Por exemplo, se existe um investimento excessivo no Eu Consciente – produtividade, rentabilidade, consciência local, linguagem organizadora – muitas vezes existe simultaneamente, uma atrofia na relação com os outros núcleos que tendem a tornar-se realidades abstratas, sem enquadramento útil.

Neste caso, o Ser procura o conhecimento racional, posiciona-se de ‘’fora’’, procurando compreensão mental e informação mas não se entrega ao desafio de uma relação autêntica com o conhecimento que ousa a sabedoria para além da compreensão.

Por outro lado o Eu Inconsciente permanece em tensão em relação ao consciente.

O limite do paradigma do inconsciente proposto pela psicanálise clássica postular que só reprimimos a sombra. Por outro lado, segundo a escola Suíça, a sombra também existe no inconsciente, mas é uma ínfima parte do material que aí se encontra reprimido.

Um imenso potencial de luz, Amor e potência Sagrada está também latente no incosnciente humano, à espera de ser ativado pela consciência.

C.G. Jung postulou que 90% do material reprimido no incosnciente é positivo, ou seja é a repressão do próprio potencial sagrado do Ser. Segundo Jung, apenas 10% do material reprimido no inconsciente é o material realmente perturbador a que chamamos de sombra.

O incosnciente funciona como reservatório onde está registrada a sombra, o material problemático, os registros de conflito que limitam a liberdade e a integridade dinâmica do ser.

No entanto, segundo Jung, no reservatório do inconsciente está também registrado todo o potencial sagrado que a Mônada e o Eu Superior já revelaram mas que o ser ainda não conseguiu realizar, tornar potência encarnada em si. No incosnciente está também registrado o vasto manancial, o imenso potencial que a humanidade pode ser e ainda não é; reprimidos no insconsciente humano estão também os arquétipos sagrados que estimulam o devir da humanidade.

Estas descobertas pareciam-me importantes e fundamentalmente de acordo com o modelo do Átomo Humano, recebido dos mundos internos, de Anu Tea.

A psicologia procura religar o Eu Consciente ao Ser Psíquico e depois, através da psicanálise, restabelecer a ligação ao Eu Inconsciente até contatar o núcleo da sombra.

O problema que se coloca é que uma vez contatada a sombra seria necessário poder trazer esse material reprimido ao coração do Ser Psíquico, banhá-lo em profunda aceitação, Amor e compreensão, para depois transmutá-los através da invocação do poder alquímico do Eu Superior e da Mônada.

Algumas correntes de psicologia e psicanálise, no entanto procuram levar o ser a contatar a sombra, sem simultaneamente restabelecer a relação com o Ser Psíquico e o Eu Superior que contêm em si o poder do Amor e transmutação, a força de resolução que permite libertar esse ‘’material’’ em conflito dentro do ser.

A exceção seria procurar ritos e situações-de-limiar que facilitassem o religar do Eu Consciente ao Ser Psíquico e ao núcleo da sombra ou ao Eu Básico; trazer ambos até ao coração do Ser Psíquico: banhando-a em aceitação, Amor e compreensão vindos de cima.

O proceso envolve sempre a invocação da luz do Eu Superior para transmutar a carga psíquica que foi revelada no contato com a sombra ou com o Eu Básico.

Este é um processo psicológico cuja sequência propõe uma combinação entre sintonia axial, oração, alquimia e psicanálise.

Como se disse, segundo Jung, 90% do material que está registrado no inconsciente é luminoso. São arquétipos sagrados que contêm o potencial de realização, o projeto de consagração do ser e da existência que estão profundamente reprimidos no inconsciente de grande parte dos seres humanos.

Quando o consciente de um ser olha para dentro de si mesmo e procura reconhecer quem é, não tem acesso a essa imagem e sentimento sagrados, a esse projeto de consagração da sua própria existência. Isto significa que passamos muito do nosso tempo a reprimir o potencial sagrado do nosso ser.

A enorme dificuldade do trabalho que propõe a psicologia profunda é que devido à carga vibracional em que se encontra a Terra, ao tentar religar o Ser Psíquico e a sombra, é mais fácil ser ‘’puxado para baixo’’, para as forças do subconsciente, atávicas, automáticas e previsíveis, do que para cima, para o potencial do super consciente.

No entanto, é na dimensão do super consciente que existe a potência alquímica que pode transmutar o material pertubador que restringe a liberdade e o projeto de completude humana.

No projeto de realização integral, proposto por Sri Aurobindo, a exploração do material reprimido no inconsciente e no subconsciente devia ser exatamente proporcional à capacidade de ativar o poder transmutador do núcleo de super consciência do ser.

Segundo Sri Aurobindo o segredo da transformação situa-se neste duplo movimento de Ascensão e descida da consciência, pois existe uma estreita conexão entre a ligação à dimensão da supraconsciência e a capacidade de transmutar o inconsciente.

Uma indestrutível ponte de luz liga o Eu Superior ao Ser Psíquico. O processo iniciático começa pela sintonia axial que permite trazer a energia do Eu Superior para dentro da câmara do coração; a Luz e o Amor Puro que vem do Eu Superior, preenchem a câmara do coração; à medida que a energia magnética começa a atuar e a criar coesão, atrai cada vez mais para si os outros três núcleos: o Eu Básico, a sombra e o Eu Consciente.

À medida que o ser vai aprofundando o contato com a energia do Eu Superior, o material subconsciente inscrito no Eu Básico e a sombra registrada no Eu Inconsciente vão sendo gradualmente revelados e transmutados. O que é ouro, ou luz reprimida naturalmente adquire o seu lugar nas funções operativas conscientes, o que é sombra, desde que não seja sobre-estimulado é remetido de novo para o inconsciente a partir do qual, entrando em estado de adormecimento será definitivamente eliminado.

O verdadeiro processo de transmutação e libertação das cargas do subconsciente e da sombra é realizado na relação com a Mônada, e nada menos.

É através da invocação sincera e da entrega efetiva à potência da Mônada, que o ser pode gradualmente transcender e libertar as cargas do subconsciente e a sombra no inconsciente.

No fundo o verdadeiro processo de libertação passa por ‘’trazer ao de cima’’ esse material ligá-lo ao Ser Psíquico e ao Eu Consciente, invocando a luz e a potência transmutadora da Mônada para dissolver e libertar esses registros. Este é, verdadeiramente, o circuito libertador.

CONTINUA...


Extraído do Livro Terra Última de André Louro de Almeida

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