Amhaj

Para que possais trilhar a senda luminosa é preciso responder ao Chamado. Isso significa vencerdes provas, nas quais terão confirmado o vosso elo com a verdade e com a luz. Todos os seres, um dia, penetram essa senda e alcançam a Morada Celestial. Porém, eons se passam até que o ciclo se consume. Não vos intimideis frente ao mal. Não desafieis o inimigo. Não retardeis vosso caminhar pelo clamor do passado. A poeira dos tempos será lavada do vosso ser; novas vestes trajareis, e grande será o júbilo da libertação. Porém, nessa senda pisareis sobre rosas e espinhos, e devereis aprender o mistério do Bem. É tempo de justiça. É tempo de graças. Magnífico poder, o Irmão Maior se aproxima. Silenciai vosso coração e acolhei o grande amor. Tendes a Nossa paz.

Hierarquia

domingo, 25 de setembro de 2011

O Átomo Humano Parte I


1998 comecei a sentir de forma progressivamente nítida a influência de uma energia muito delicada, mas potente.

A imagem era a de uma pena de pássaro que flutuava sobre um mar revolto... num certo momento a pena tocou o mar ao de leve, na crista de uma onda violenta e num relâmpago todo o mar se acalmou.

Nesta imagem era notória a energia da Harmonia Através do Confrlito. Era também a confirmação de que a energia do Reino de Lys estava a aproximar-se da minha consciência de um modo especial.

Dias depois, durante a noite, foi-me apresentada a imagem de uma lamparina acesa.

Em poucas horas pude estabilizar o texto que me ajudou a compreender a relação delicada entre a possível instantaneidade da iluminação da mente e a fidelidade ao processo de auto-aperfeiçoamento.

O material tratava da relação equilibrada entre o caminho de observação de si e o caminho de esquecimento de si, um ponto recorrente em encontros de grupos de trabalho espiritual. Senti a presença e a radiação magnética de Shamuna atuando entre as palavras – O Óleo e a Chama, em anexo no fim do livro.

Paralelo ao emergir de informações e impulsos com origem em núcleos espirituais potentes não podia deixar de notar o despreparo tanto do meu ser pessoal como de muitas pessoas que são sinceras e genuínas na sua aspiração.

Em um sonho uma amiga e colaboradora aguardava-me num espaço rural. Tinha entrado numa quinta cuja chave estava comigo. Ela estava triste porque tinha sido obrigada a forçar a entrada, pois eu chegara tarde e ainda por cima não lhe tinha entregue atempadamente a chave. Eu não tinha presente a que chave ela se referia, até que, ao tentar desenhar no chão o formato da chave, desenhei o punho da chave com a forma de um triângulo. Então uma presença do lado direito, um jovem, disse claramente: ‘’A base não é triangular, é circular.’’ Corrigi o desenho no chão e acordei.

Partindo da observação de mim próprio um mal estar começava a instalar-se. Uma pergunta nasceu a partir do interior. ‘’Porque tanta imaturidade psicológica naqueles que foram chamados a auxiliar a Terra?’’ Porque é possível uma pessoa ser simultaneamente um ser-contato autêntico e relativamente puro e ter reações inteiramente infantis e inconsistentes perante o meio ambiente mental, emocional e psíquico em torno de si, e isto independentemente da idade e da geração?

E ainda: Em que momento a Tradição Iniciática se separou do conhecimento psicológico do homem tal como pode ser concebido pela mentalidade de uma época?

A pergunta era pertinente, pois a maior parte das autoridades espirituais que eu conhecia parecia ignorar coluntariamente o conhecimento psicológico tratando as dificuldades humanas como uma questão de forças e energias, como se, inúmeras vezes, isso não fosse também uma forma de linguagem.

Por seu lado os estudiosos que se dedicavam à psicologia evitavam igualmente a abertura a fontes de natureza espiritual como se tudo no homem se resumisse ao âmbito psíquico e mental.

Esse caminho estava limitado para mim desde o dia em que, estudante de liceu, reparei que a minha mente podia argumentar um assunto e o seu oposto com idêntica competência e de forma convincente. Nesse dia desinteressei-me por procurar a verdade na mente, ou com a mente.

Gradualmente podia compreender que existia um hiato entre dois mundos, o estudo psicológico do ser humano e o aprofundamento espiritual e iniciático, quando na realidade estavam destinados a se complementar e a se vigiar mutuamente.

Era frequente encontrar seres com uma visão avançada da realidade mas que simultaneamente não se conheciam a si mesmos, buscavam mesmo ignorar-se, pareciam ter medo de si próprios e do seus níveis humanos. Não possuíam experiência suficiente na Terra para amar realmente. O seu amor ao Divino inteiramente compensatório, senão doentio.

Ouvi, com alguma tristeza, afirmar que ‘’os meus verdadeiros amigos são os Mestres e os Irmãos do Espaço’’. Isto anunciava um enorme deserto no plano das relações humanas e um esvaziamento perigoso do coração no seu nível social, horizontal, vivencial.

Inversamente, os estudiosos do mundo dos arquétipos da psique, a psicologia analítica e profunda, por vezes confundiam o Eu Superior com o Eu Básico, o super-consciente com o sub-consciente, interpretavam o baixo psiquismo natural como a vida do Ser Interno, a dor psicológica egoísta era interpretada como crises, como símbolos da emergência da totalidade psíquica sem qualquer realidade exterior à psique, no sentido da existência real de entidades superiores, angélicas e divinas.


Existia uma limitação na forma como a psicologia analítica se aproximava da realidade interna do homem. Os anjos, os Mestres, os Irmãos do Espaço eram símbolos, símbolos de desenvolvimento da psique, mas sem existência real.

Tornava-se necessário criar, ou redescobrir um modelo integrador dos diferentes núcleos do Ser.


Em 1977, em plena adolescência, costumava assistir à missa todos os domingos, por impulso da atmosfera católica através da qual a minha mãe nos orientava espiritualmente.
Num desses domingos, um dia magnífico de Primavera, senti uma vontade persistente de regressar a casa, não pelo caminho habitual, de automóvel, com os meus pais e irmãos, mas a pé seguindo o leito então seco do rio da região próxima de Lisboa em que vivíamos.

Caminhando, alegremente ao longo do rio, observava os líquenes e musgos nas muitas poças que resistiam ao calor do sol e sentia um imenso prazer em descobrir os detalhes coloridos das libélulas e das rãs. Um jovem, muito jovem, saltitando de pedra em pedra sem o mínimo peso na alma.

A alegria espontânea de existir numa criação plena e esplendorosa tomava conta de mim lentamente. O naturalista e o botânico davam lugar ao esteta e pintor até que me supreendi cantando numa língua desconhecida, uma litania aparentemente inocente nascendo do coração de um jovem:

Ea
Ea
Ea Imi
Anu
Ea Imi
Noa Ea Imi
Nos Ea Ea Imi
Eli Eli Eli Ama
Eli Eli Eli Ama Ethe Iki Noah
Anu Tea Anu Tea Anu Tea

Eli Eli Ama

Ao entoar estes cânticos sentia-me vertiginosamente elevado além da minha consciência quotidiana, um repositório muito antigo e vasto de informação pressionava para emergir.

Anos depois uma série de sinais e figuras geométricas bem como frases soltas confirmaram ‘’Anu Tea’’ tratar-se de um centro interno, situado nos éteres superiores do oceano pacífico, com particular incidência em Bora-Bora, na polinésia francesa.

Este centro combinava a potência de grandes patriarcas com o conhecimento cósmico infinito, substrato de toda a ciência e conhecimentos internos.


Durante milénios o interior da esfera humana, o mistério dos diferentes núcleos e dimensões que co-existem no interior de um ser humano esteve envolto em escuridão.

O ser humano vivia em desconhecimento e cegueira em relação aos diferentes núcleos e dimensões que animam o seu interior.

Da mesma forma que o interior do átomo era desconhecido na ciência física, também o interior do átomo humano com os seus diferentes componentes, dimensões e relaçoes, era profundamente desconhecido.

Essa concepção arcaica e restrita que o homem tinha de si mesmo deixava a riqueza e a complexidade da esfera humana evolta numa profunda penumbra e escuridão.

Depois de milhões de anos exprimindo o seu Eu Básico seguiram-se séculos em que a concepção e percepção que o homem tinha de si mesmo estava reduzida à esfera de um Eu Consciente em relação com um O Divino concebido no exterior.

Durante séculos apenas o arco da religião exotérica, que religa o Eu Consciente a uma representação de O Divino exterior a si, estava ativado na consciência que o ser humano tinha de si mesmo e da realidade.

Com a renascença, essa ligação do ser humano a um O Divino exterior é interrompida e o homem passa a conceber-se a si mesmo a partir da supremacia do Eu Consciente. O Eu Consciente, a racionalidade é estimulada e valorizada ao máximo.

Esta concepção continua no entando profundamente incompleta, pois o Eu Consciente está longe de abranger a totalidade de dimensões que co-existem no interior da esfera do ser humano.

Em certo momento de recolhimento a palavra ANU surgiu de novo na minha consciência acompanhada da frase:

                                                 O Homem é um Átomo

A ideia hoje é compreensível e consensual, mas nessa altura chegava fresca e intensificada por um sentido de descoberta.

Rapidamente desenhei uma série de esboços num caderno. Gradualmente esses esboços progrediram até se transformarem numa imagem definida. Um mapa da condição humana e dos múltiplos estados do ser, o Átomo humano.

                                                    O Átomo Humano
                       Modelo integrador dos diferentes núcleos do Ser

                                                         MÔNADA

                                                         Eu Superior
                                                                                                      Eu Sombra

Eu Consciente                           Ser Psíquico


                                                          Eu Básico


Compreendi que este diagrama, o Átomo humano estava a ser enviado a partir do centro interno que, de forma tão inocente eu havia contatado na minha adolescência, quando o nome ANU TEA se definiu dentro de mim.

A esfera de um ser é composta por diferentes núcleos, diferentes níveis que se interligam e relacionam entre si para construir a integridade dinâmica de um Ser.

O Átomo humano, uma síntese doada por Anu Tea convidava-me a compreender os diferentes núcleos que co-existem no interior da esfera de um ser, assim como os canais de ligação que os conectam entre si.

Com efeito, mais importante ainda do que a compreensão de cada núcleo é a compreensão dos canais que os religam e permitem não só a conexão energética mas também a qualidade de comunicação entre os núcleos.

Qaundo religamos os núcleos através dos canais, percebendo como cada um se relaciona com os outros, percebemos a diálise constante que existe dentro de nós. O diálogo entre várias vozes, energias e tendências.

O processo que permite a sincronização e a integração progressiva entre estes núcleos implica, antes de mais, que a pessoa reconheça as diferentes dimensões que co-existem e se combinam no interior de si.

Observando em silêncio o diagrama que tinha apontado algumas questões essenciais emergiram:

Quais são os núcleos com os quais estabeleço uma relação? Nos quais existe um investimento da energia psíquica e consciência? Quais os núcleos que estão inibidos num estado de imaturidade ou conflito no interior de mim?

                                                                       MÔNADA

                                                 EU SUPERIOR

                                              Luz de Iluminação

                                                         FOGO


                                                                    SER PSÍQUICO
Amor síntese, centro gerador de integridade e integração, forno alquímico, energia de coesão.

                                                          ÉTER


                                                  EU CONSCIENTE
Linguagem, discernimento, mental, foco direcionador da atenção e da intenção, compreensão, análise, distinção, organização, escolha, comunicação, coordenação.

                                                             AR


                                                     EU SOMBRA
                                                 Criatividade latente
                                                   
                                                       Imaginação.

                                                 Material Coletivo
                                                Material Reprimido

                                                          ÁGUA      

                                                       EU BÁSICO 

 Subconsciente, instinto, espontaneidade. Vitalidade, inteligência do corpo, homem Natural.


                                                          TERRA


Quais os canais energéticos que religam os diferentes núcleos e onde estão interrompidos? Qual a natureza da comunicação que entre eles se estabelece?

O mesmo impulso de instrução que enviara o diagrama preencheu os arcos entre as esferas com termos precisos:

O canal que procura religar o Eu Consciente ao Eu Superior, através de uma representação exterior, é a religião exotérica.

O canal que procura religar o Eu Básico ao Eu Superior é o xamanismo, bem como inúmeras formas de medicina natural e etnofarmacologia.

O canal que procura religar o Eu Consciente ao Eu Inconsciente é a psicologia.

A psicologia percorre o caminho do Eu Inconsciente ao Eu Consciente e quando se torna uma psicologia espiritual – uma psicosíntese – procura restabelecer a conexão com o centro de integração que é o Ser Psíquico.

A psicologia analítica procura atravessar o canal que religa o Eu Consciente ao Eu Psíquico e à sombra.

Em colaboração com um grupo de estudantes podemos elaborar uma compreensão mais clara destes núcleos e um esboço do que seria a integração dos núcleos do ser e os canais que o religam entre si...

1) O processo de integração implica reconhecer os diferentes núcleos do ser e restaurar os canais de ligação entre estes núcleos.

Trata-se do trabalho que permite restabelecer a integridade dinâmica dos canais energéticos e a qualidade de comunicação entre os diferentes núcleos – Eu Consciente, Eu Básico, Eu Inconsciente e o Eu Superior – através da conexão ao Ser Psíquico, centro gerador de integridade e integração.

Existe um núcleo que integra todos os núcleos e os transcende, a Mônada; e existe um núcleo que religa e integra os núcleos por dentro, o Ser Psíquico.


O Ser Psíquico é o integrador; este núcleo situa-se miraculosamente a meio, no ponto de encontro e de intersecção entre o nível arcaico da psique em evolução e o Eu Superior. O Ser Psíquico reúne simultaneamente em si a consciência evolutiva do ser e a sabedoria eterna do Eu Superior.

Graças a esta posição central, o Ser Psíquico é o forno alquímico no interior do qual o profundamente humano e o profundamente sagrado encontram uma coerência e coesão no interior do ser.

O Ser Psíquico contém em si a energia de síntese e de coesão capaz de realizar a integração dos diferentes núcleos do ser. Ele contém em si uma qualidade que busca constantemente a simetria, o equilíbrio entre as dimensões da experiência, da existência e da essência.

O trabalho de ligação dos canais que conectam os diferentes núcleos ao Ser Psíquico é essencial neste processo de Integração, neste projeto de integridade dinâmica rumo à completude do ser.

2) Uma vez religados os canais energéticos, o ser pode estabelecer um diálogo inteligente, uma comunicação qualitativa entre os diferentes núcleos de si próprio.


Este diálogo é mediado pelo Eu Consciente, que como um chefe de orquestra coordena e restabelece a comunicação dos núcleos entre si; o Eu Consciente é o núcleo onde se situa o discernimento, a clareza, a tomada de consciência e também o livre arbítrio e a escolha. A harmonia, o equilíbrio das ligações entre os núcleos do ser à realeza através de um diálogo inteligente mediado por esta qualidade de clareza, lucidez e coordenação do Eu Consciente.

Claramente a energia de Anu Tea procurava instruir-nos em um conhecimento sintético sobre a natureza humana.

Para alguns de nós, nessas aulas, era um tanto desconcertante, pois estávamos habituados a responder essencialmente ao espírito e a viver um processo de elevação das energias pessoais e de auto-esquecimento, dentro dos limites colocados pelas nossas vidas pessoais e familiares, dentro do nosso destino básico e dentro do que o nosso equilíbrio permitia.

A aceitação de um trabalho de auto-observação e auto-análise num planeta em estado de emergência e com energias potentes circulando na sua aura não foi imediata. Parecia-nos perigoso, um desvio talvez, senão mesmo um retrocesso no caminho.

Mas a presença que sustentava este estudo e a paz que nos permeava deram-nos impulso para continuar.

A impressão era de que a irradiação de Enuk (Enoch) uma Hierarquia de Anu Tea, bem como de Hierarquias coligadas com antigas projeções de Anu Tea no Mediterrâneo – Pérsia, Síria, Tunísia, Turquia e Egito – estavam presentes quando aprofundávamos este modelo.

Percebíamos também que este diagrama não era uma revelação, pois existia de inúmeras formas em inúmeras tradições, senão mesmo em ambientes de aprofundamento psicológico nos nossos dias.

A partir de um modelo integrador dos núcleos que coexistem dentro de um ser, começamos por realizar uma anatomia daquilo a que chamamos ‘’eu’’, tentando distinguir com clareza o que está contido nesta realidade que tantas vezes surge dentro de nós compactada e amalgamada, exclamando ‘’eu!’’ e pedindo a nossa atenção.

Quem é este ‘’eu’’? Quando uma pessoa diz ‘’eu quero’’ que ‘’eu’’ dentro dela quer? Qual núcleo do Eu quer?

Conseguimos sentir dentro de nós esta reclamação: eu, diz a mente; eu, diz o eu emocional; eu, diz o corpo; eu, diz o núcleo profundo do ser, como se cada núcleo dentro de nós, por momentos, procurasse ocupar o centro, daí a importância de estarmos conscientes destes núcleos que compõem a anatomia do ‘’eu’’.

Se existe uma consciência clara, uma discriminação que nos permite distinguir os diferentes núcleos do eu, como poderemos ter a lucidez para perceber que ‘’eu’’ dentro de mim quer, e porquê?

Com efeito, estes cinco núcleos do ser podem estar tão sincreticamente colados uns nos outros, numa amálgama, que criam um estado de confusão quando tentamos compreender a indentidade a que chamamos ‘’eu’’.

A compreensão sincrética permite-nos sentir e saber que algo é real sem que no entanto tenhamos ainda linguagem, análise e descernimento. Mas isso seria um conhecimento incompleto e predominantemente confuso.

Esta operação de discernimento é essencial para primeiro distinguir e posteriormente realizar uma síntese integradora das diferentes dimensões e processos do ser.

De outra forma, existe a percepção de que algo é verdadeiro sem que saibamos nem como nem porquê.

Sabíamos que seria necessário um processo de interação, dar à mente um elemento cristalino e balsâmico de compreensão. Isso não só a nutria na direção da Síntese como a apaziguava profundamente.

E depois do processo de análise seguido de uma síntese do conhecimento realizado, serenamente e sem mais obstáculos, em paz, podíamos avançar para a sobremente.

Todas estas fases nós experimentamos. E a paz desceu inúmeras vezes durante este estudo.

O modelo que Anu Tea nos transmitia sobre os núcleos do ser e os canais que os religam propõe uma concepção abrangente e exata, dentro dos limites da época atual, das diferentes dimensões que coexistem dentro do ser; para que dessas compreensão possa emergir discernimento, clareza e uma ampliação psicológica e espiritual de algo que em tempos foi mantido na sombra por falta de linguagem adequada.

Estes núcleos são: Eu Básico, Eu Sombra, Eu Consciente, Eu Superior, Ser Psíquico e a Mônada.

Estávamos perante o processo de Integração da psique, na psique, a libertação do estado de fragmentação do ser, conduzindo a uma ascensão de todos os motores da existência de um ser humano.

O estado de fragmentação da psqiue torna o indivíduo irreal aos olhos do universo; na medida em que cada um dos quatro núcleos do ‘’eu’’ se isola, bloqueia o canal energético, bloqueando também a comunicação com os outros núcleos e com o centro psíquico, o indivíduo torna-se irreal.

O estado de desequilíbrio, de fragmentação, de isolamento e ausência de comunicação entre os compostos do nosso ser remetem-nos para a condição de irrealidade e fazem-nos perder a nossa realidade cósmica.

É dessa imensa irrealidade que emerge o desequilíbrio, desequilíbrio que viciosamente aumenta a irrealidade do indivíduo.

A integração dos quatro quadrantes do ser – o equilíbrio, a simetria e coesão destas forças dentro de nós e a sua síntese final no Ser Psíquico – cria um projeto de realização integral, um processo gradual de conquista da integridade psíquica rumo à personalidade integrada. E esta personalidade integrada era-nos apresentada como o trampolim para a ascensão a esferas mais elevadas.


A palavra personalidade tem um sentido superior; confere o grau de realidade de um Ser perante o Eterno; não apenas a realidade a priori – realidade transcendente representada pelo Eu Superior, mas a sua realidade integral, a síntese do ser essencial, experencial e existencial.

A personalidade integrada surge à medida que o processo de amadurecimento psíquico cria uma relação simétrica, equidistante, entre o nível experencial, o nível existencial e o nível essencial.

O Eu Consciente e o Eu Básico são experenciais e existenciais, buscando tornar-se factuais no nível essencial. O Eu Inconsciente é fundamentalmente experimental buscando tornar-se factual nos níveis existencial e essencial. O Eu Superior é fundamentalmente essencial.

O Ser Psíquico é existencial pois busca realizar-se no espaço e no tempo, é essencial pois transmite a essência ao núcleo externo consciente, ao núcleo básico e ao núcleo inconsciente; é o pólo magnético-atractor de toda a vida da personalidade, pólo que sintetiza e integra todos os núcleos. E é experencial pois evolui ao longo do processo adquirindo conhecimento próprio na proporção em que realiza a síntese de todos os núcleos do ser.

O Ser Psíquico pode ser um transmutador efetivo dos limites que restringem a liberdade do ser quando ligado ao Eu Superior. Isso nós observamos muitas vezes.

Nesses momentos parecia-nos que as muitas atividades do homem – instintiva, familiar, social, intelectual, artística e devocional – eram arenas dinâmicas para a emergência do Ser Psíquico no Eu Consciente, transmutando e refinando muito do material bruto do inconsciente, produzindo simultaneamente mutações irreversíveis no conjunto de modos naturais do Eu Básico.

Existe aqui uma grande beleza. Muitas das disciplinas que refinam a psique – as artes por excelência – eram compreendidos finalmente como simples laboratórios de união entre os outros quatro níveis – o psíquico pulsando ao centro do ser e conferindo magnetismo e realidade ao Eu Básico, ao eu consciente e à sombra e atraindo para baixo e para fora o Eu Superior.

Desde o desporto, a agricultura, a escrita, o trabalho com crianças, as artes, os ofícios, o Amor romântico, a sexualidade humana, a inspiração abstrata, o exercício do poder, a interação grupal e a vida monástica, tudo nos pareciam partes vibrantes e genuínas do mesmo processo de integração.

Nesta visão de uma vida criativa disciplinas tão distintas como a cerimónia do chá, a tecelagem, o ballet, a escola de arco e flecha, a educação musical, a pintura, o trabalho com madeira ou metal, a poesia, a dança, a caligrafia ritual, a criação de ambientes harmoniosos, o ato de plantar, a relação com a tecnologia ou a astronomia científica conviviam com o silêncio, a reverência, a entrega de si e a abertura constantes ao Alto e às correntes ígneas superiores, sem que o narcisismo ou a licenciosidade normalmente atribuídos a ambientes de exploração criativas pudessem imperar. Isso seria possível porque tudo era vivido em nome do centro psíquico, cuja plena expansão conduz aos portais da Ascensão.

O processo que se orienta gradualmente para um estado de maturidade da psique implica não só religar do canal do Eu Consciente ao Ser Psíquico – onde o ser contata o Amor e a luz do Eu Superior – mas também o religar do canal que liga o Ser Psíquico ao Eu Inconsciente, reservatório onde estão os registros do inconsciente pessoal e coletivo.

O amadurecimento psíquico realiza-se através do processo que permite reconectar o núcleo inconsciente, revelar o material reprimido, trazer os seus conteúdos até à força do Amor e compreensão do Ser Psíquico e aí acolher a potência da Mônada, capaz de dissolver, transmutar e liberar esse material que eventualmente se encontra em confilto com outras áreas do ser.

Em certas escolas de psicologia analítica concepção de repressão refere-se sempre à repressão de algo negativo, de um elemento perturbador ou tabu; a concepção de outras escolas – como a de Zurique – inclui a repressão de potenciais positivos, a repressão dos próprios arquétipos sagrados do ser. Segundo os seus Mestres, reprimimos muito mais a nossa luz do que a nossa sombra – no inconsciente do nosso ser está reprimida não só a sombra mas também o potencial do ser, o projeto de realização integral que somos.

O ser reprime o seu Amor, a sua liberdade, a sua confiança, a sua integridade, a sua autenticidade, e até mesmo o seu sentido do sagrado, estimulando por várias figuras fóbicas que lhe são impostas durante a infância e a adolescência, numa tentativa trágica de se adaptar à sociedade e aos valores regionais, familiares religiosos ou sociais.

Estas qualidades sagradas, frequentemente reprimidas, são um imenso potencial de vida, aprisionado no inconsciente individual e coletivo.

CONTINUA....

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